Dois Poemas para Freimáticos [PT]

LÁBIO VERTICAL EM SI

(1 m e 12 -20 seg))

Uma sílaba ao canto do nome: si.
Assim é no alto antes de cair no dó.
Apogeu e promessa de ré. Eterno retorno.
Piedade, ré activo. Mas o lá,
a distância que me funda, lá é sol,
lá entre mim e mi. Fá-la fala de uma vez.

Acordemos uma vez que seja. Deixa lá
fora do lugar, a cama desfeita,
esquece as horas. Só a pausa existe.
Sou ao mesmo tempo sucessiva.
Quantas notas perdidas quando partes.
As minhas mãos em sol menor. A escala
de grandeza entra em declínio.
Lá é lá aqui. Não peças que diga: nada ou si.
Já não importa. Ré demasiado tarde
para um fá. A obra é o que lhe falta ser:
total. Qualquer tentativa é dissonante.
Porque esperas? Uma série de perguntas
sem voz: dó afónico dó de cacofónico.
A torneira mal fechada. A casa a crescer
no centro: fá absoluto. Vermelho Dior.
Lábio vertical. Pausa inclusa na boca.
Explodir em si. Paredes em sangue mi.
Enquanto se invoca em vão o dó.
Mudo de escala numa esplanada
sobre o mar lá: música aqui. Ah.

 

 

TREINO EM CLAP DE SOL

(1 minutos 30-35)

fresca, incolor
a cada braçada
olho,
cadeira esperando
chegada improvável

antónio carlos balbino

Em que língua devo beber a tua água?
Clap, clap, crawl,
Pareces uma linha em movimento.
Amore, em que língua
é fresca a água quando é só uma linha deslizante
em clap, clap?
Os nossos nomes residem em duas cidades.
Eu viajo no ar e tu na água.
Tu, uma linha tracejada a dizer clap
clap enquanto alongas a nuca até ao improvável.
Respiras rigorosamente o cloro da pele
e eu respiro ar condicionado
acima das nuvens e pela vigia digo
amore, amore
os nomes das cidades que habitamos
são iguais. Oiço o clap clap
do teu corpo na água.
Moves–te em linha horizontal à minha espera,
esperas-me entre duas braçadas,
respiras rigorosamente do meu lado.
Mon amour, je vois ton corps atravers la vitre.
Um dos braços clapeou a acenar-me
e agora sorri-me. A água é fresca.
Deitas-te de novo no corpo incolor.
A cidade tem o meu nome à superfície.
Alongas a nuca across the water.
São mais cinco piscinas até mim,
sete páginas do meu livro,
um par de óculos, uma cadeira
à espera. Linha sem fuga.
Meeting point nos teus braços.
Check me in. My luggage
contém o oceano em clap
até ao infinito. Chegada improvável.
Olho, cadeira fresca,
o teu corpo a escorrer em mim.
My love nunca me esperes em crawl
porque eu já clap clap cheguei sempre.

11.07.11

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